Benedicto Ismael Camargo Dutra (*)

A economia brasileira foi baseada no sistema produtivo de monocultura exportadora e escravocrata, fornecedor de riquezas para as metrópoles, sem alvos próprios.

O despreparo e falta de consciência da população é lamentável revelando pouco patriotismo. Não se observa a existência da indispensável disposição geral para construir um futuro melhor que beneficie a todos com progresso e qualidade. Mesmo com a proclamação da República, após a deposição da Princesa Isabel, o país permaneceu no mesmo tom, sem maiores cuidados com a educação, emprego e produtividade; sem que fosse implantado um projeto de desenvolvimento de longo prazo.

Surgiu um Estado sem metas, sem uma tesouraria séria. As consequências se mantêm: estagnação, dívida pública descontrolada, fraqueza do mercado interno que não têm sido combatidas com a mesma força que a inflação. Juros elevados e câmbio valorizado têm sido constantes na frágil economia brasileira de baixa renda, fraca circulação de dinheiro e mercado interno pífio. Faltam boas escolas, as cidades crescem desordenadamente. Mais de 50% da população não têm saneamento básico.

Há muitos fatores que travaram o Brasil e que ficam esquecidos, pois em função da explosão da dívida, olha-se prioritariamente para as variáveis do funcionalismo e previdência que também requerem ajustes. Os líderes gostam de agir e serem tratados como reis, mas em geral falta-lhes a visão de que temos um planeta destinado ao progresso. Cada um quer se colocar como dono e comete loucuras. Assim a Terra, que poderia ser um paraíso de convivência pacífica e progresso, caminha para o abismo.

O caldeirão urbano ameaça ferver. Há muitas constelações de pensamentos de ódio e vingança espalhadas e em dado momento isso pode ser um estopim, uma ignição e está feita a explosão. É a colheita dos frutos semeados pela civilização voltada para o materialismo e fundada num labirinto de mentiras acobertando interesses escusos de dominação, poder e também o desconhecimento da realidade espiritual da vida.

O ser humano não pode continuar caminhando às cegas e precisa fazer uma avaliação sobre todos os tempos, do começo da humanidade até nossos dias. Depois de tantos séculos de buscas infrutíferas e, especialmente na atualidade, em que ainda impera o desentendimento e a intolerância, é necessário adotar uma nova postura e uma nova convergência por algo mais elevado e consistente que proporcione paz de espírito e felicidade.

A questão da desigualdade vem de longe. Não foi por acaso que a humanidade caiu na pobreza espiritual e material, embora o planeta tenha sido dotado com todo o necessário para uma existência condigna sem a gritante miséria. O aumento da riqueza de uns tem acarretado a pobreza de outros. Falta a meta de melhora geral. Diferenças no câmbio e salário numa determinada região têm acarretado mudanças em outra, levando ao aumento da precarização geral.

Os homens se digladiam pelo poder e riqueza e não é de agora. Essa é, talvez, a grande causa da miséria que se esparrama pelo planeta. Tudo foi sendo conduzido de forma a camuflar a sua cobiça, mas na falta de uma visão responsável do futuro surgiram consequências inconvenientes, abrindo-se espaço para os revoltados e para os populistas que cativam a massa indolente com disseminação de ódio e promessas irrealizáveis.

O poder estatal mostra a sua incapacidade e incoerência. A boa administração das nações depende de equipes coordenadas que visem à continuada melhora das condições de vida, que ajam com seriedade e apoiadas por uma população bem preparada e imbuída dos mesmos propósitos.

(*) - Graduado pela FEA/USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Coordena os sites (www.vidaeaprendizado.com.br) e (www.library.com.br). E-mail: (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).